Crescimento do mercado, mudança de comportamento e impactos estratégicos em 2025 e 2026
O mercado global de jogos de mesa entra em 2026 em um ciclo consistente de expansão, impulsionado por produtos que valorizam interação social, colaboração e experiências compartilhadas.
Dentro desse movimento, os jogos cooperativos ganham relevância ao atender uma demanda crescente por entretenimento coletivo entre adultos, famílias e grupos multigeracionais.
Os números confirmam essa mudança de patamar. O setor deve avançar de US$ 22 bilhões em 2025 para mais de US$ 24 bilhões em 2026, com projeções que apontam para quase US$ 35 bilhões até o fim da década, segundo dados do Playing Cards and Board Games Global Market Report 2026, da The Business Research Company.
Esse crescimento é sustentado principalmente por jogos sociais e familiares, que apresentam:
- maior recorrência de uso;
- maior valor percebido;
- maior potencial de interação entre jogadores.
Projeções de longo prazo indicam que o mercado global de jogos de tabuleiro pode ultrapassar US$ 38 bilhões até 2033, mantendo taxas médias anuais acima de 9%, conforme análises da IMARC Group.
Esse desempenho está diretamente associado à valorização de experiências presenciais e de convivência, com destaque para mercados maduros como Estados Unidos e Europa e expansão acelerada na América Latina.
Nesse cenário, os jogos cooperativos deixam de ser tratados como uma categoria de nicho e passam a influenciar decisões estratégicas de:
- portfólio de produtos;
- posicionamento de marca;
- estratégia de canais de venda.
Mais do que acompanhar uma tendência de consumo, o setor passa a lidar com uma mudança estrutural nos critérios de valor e competitividade.
Ao longo deste artigo, exploramos como essa transformação reposiciona o papel do brinquedo e redefine oportunidades para fabricantes, distribuidores e varejistas.
Por que os jogos cooperativos crescem mais rápido
O crescimento dos jogos cooperativos não é resultado de uma moda passageira. Ele reflete uma transformação na forma como adultos e famílias consomem entretenimento.
Em vez de experiências centradas em eliminação ou competição extrema, cresce a busca por jogos que favorecem:
- participação conjunta;
- diálogo entre jogadores;
- tomada de decisão coletiva.
Dados de mercado indicam que os segmentos de jogos sociais e cooperativos apresentam desempenho superior dentro da categoria de jogos de mesa.
Segundo análises da Market Research Future, esse tipo de jogo tende a apresentar:
- maior recorrência de uso;
- menor taxa de abandono;
- maior valor percebido ao longo do tempo.
Além disso, jogos cooperativos ampliam a inclusão entre jogadores com diferentes níveis de habilidade e reduzem frustrações associadas à competição direta, de acordo com o estudo Back in the Game: Modern Board Games, disponível no ResearchGate.
Para a indústria de brinquedos, a implicação é clara: o valor do produto passa a estar menos na mecânica isolada e mais na qualidade da interação social que ele promove.
O adulto como motor de crescimento do mercado
Embora historicamente associado ao público infantil, o crescimento recente dos jogos cooperativos é impulsionado de forma relevante por consumidores adultos.
Faixas etárias entre 25 e 44 anos concentram uma parcela significativa da expansão do mercado de jogos de mesa, especialmente em títulos voltados para interação social.
Segundo o relatório USA Board Games Market Outlook to 2030, publicado pela Ken Research, jogos cooperativos e temáticos figuram entre os segmentos com maior crescimento em canais especializados, impulsionados por:
- casais;
- grupos de amigos;
- famílias com crianças mais velhas.
Para esse público, os jogos funcionam menos como passatempo individual e mais como pontos de encontro social, capazes de reunir diferentes perfis de jogadores em torno de uma experiência compartilhada.
Esse comportamento também se reflete no ambiente digital. O aumento de buscas por termos, como os destacados abaixo, indica uma demanda crescente por produtos acessíveis, mas com profundidade estratégica suficiente para sustentar o engajamento ao longo do tempo.
- melhores jogos cooperativos;
- jogos para grupos;
- jogos fáceis para iniciantes.
Para fabricantes e varejistas, o impacto é claro: produtos excessivamente infantilizados tendem a perder relevância, enquanto jogos com linguagem clara, narrativa consistente e proposta social bem definida ganham espaço no portfólio.
Jogos cooperativos como plataforma de longo prazo
Do ponto de vista estratégico, jogos cooperativos também apresentam maior longevidade dentro do portfólio.
Ao contrário de produtos altamente sazonais, jogos sociais tendem a atravessar diferentes contextos de uso, faixas etárias e momentos de consumo.
Estudos sobre experiência de consumo indicam que esses jogos são frequentemente associados a:
- convivência social;
- aprendizado coletivo;
- construção de vínculos.
A pesquisa Boardgames: um estudo sobre a experiência de consumo, desenvolvida na UFRJ, aponta que jogos sociais apresentam maior taxa de reutilização e recomendação espontânea.
Na prática, isso transforma o jogo em uma plataforma de relacionamento, com impacto direto em:
- ciclo de vida do produto;
- estratégias de expansão;
- aumento do valor percebido.
O varejo como mediador da experiência
O avanço dos jogos cooperativos também redefine o papel do varejo dentro da categoria.
Jogos baseados em narrativa, investigação ou cooperação frequentemente exigem uma breve contextualização para que seu valor seja plenamente percebido pelo consumidor.
Relatórios de mercado indicam que esse tipo de produto apresenta melhor desempenho quando acompanhado de:
- explicação no ponto de venda;
- demonstração prática;
- orientação da equipe.
Segundo o Tabletop Games Market Report, da Strategic Market Research, varejistas que investem em mediação ativa registram maiores taxas de conversão e ticket médio na categoria.
Nesse cenário, o varejo deixa de ser apenas um canal de distribuição e passa a atuar como curador de experiências.
Cooperação, investigação e valor funcional
Outro fator que sustenta o crescimento dos jogos cooperativos é sua associação a benefícios cognitivos e socioemocionais.
Jogos investigativos e colaborativos estimulam habilidades como:
- pensamento crítico;
- comunicação;
- escuta ativa;
- resolução coletiva de problemas.
Esse movimento dialoga com o avanço do mercado de serious games, que deve ultrapassar US$ 20 bilhões em 2026, segundo estimativas da Mordor Intelligence.
Mesmo quando não têm finalidade educacional formal, muitos jogos cooperativos incorporam princípios semelhantes, ampliando sua percepção de valor.
Um novo espaço estratégico para o brinquedo social
O crescimento dos jogos cooperativos em 2025 e 2026 não deve ser interpretado como um fenômeno passageiro.
Relatórios de mercado e estudos acadêmicos indicam uma mudança consistente na forma como adultos e famílias consomem entretenimento, priorizando experiências compartilhadas e interação presencial.
Para a indústria e o varejo de brinquedos, esse movimento exige revisão de:
- portfólio;
- linguagem de comunicação;
- estratégia comercial.
Em um mercado cada vez mais orientado por valor percebido, os jogos cooperativos deixam de ser apenas uma categoria em expansão e passam a ocupar um papel central na redefinição do brinquedo como espaço de encontro, diálogo e convivência.
