O FUTURO DO BRINCAR COMEÇA AQUI

Quem foi pra Abrin 2026 já está fazendo isso. E você?

A Abrin 2026 não trouxe apenas tendências. Ela deixou claro que o mercado de brinquedos está operando sob uma nova lógica. E o ponto mais importante não é o que está mudando, mas quem já entendeu essas mudanças e está se movendo antes dos outros.

As empresas que capturam crescimento hoje não estão fazendo mais do mesmo. Elas estão operando de forma diferente.

A pergunta que fica não é se o mercado mudou, é se a sua operação já acompanhou essa mudança. Confira abaixo alguns dos melhores insights de quem se preocupa com o futuro do brincar.

O crescimento continua, mas não do jeito que parece

Analisando as tendências que falamos neste artigo, com base em dados da Circana, o mercado global de brinquedos cresceu cerca de 7% em valor em 2025. À primeira vista, isso pode parecer apenas uma expansão natural do setor.

O que isso significa: esse crescimento não está sendo puxado apenas por volume. Ele está sendo impulsionado por aumento de ticket médio, valor percebido e categorias com maior margem.

Na prática, isso muda completamente a lógica de crescimento. Uma vez que não se trata mais de vender mais unidades, mas sim de vender melhor.

Empresas que continuam operando com foco em volume tendem a entrar em guerra de preço. Já aquelas que entendem o valor do mix, da proposta e da percepção conseguem crescer com mais margem e previsibilidade.

O produto deixou de ser suficiente

Um dos movimentos mais evidentes que apresentamos na Abrin 2026 é a transformação do brinquedo em algo maior do que o próprio produto.

O consumo está cada vez mais ligado ao desenvolvimento cognitivo, interação social e valor emocional. Isso significa que o produto, isoladamente, não sustenta mais a venda.

Ele precisa responder perguntas como:

  • o que isso desenvolve
  • que tipo de experiência isso gera
  • por que isso importa

Essa mudança tem uma implicação direta na forma como negócios estruturam sua comunicação e seu portfólio. Sendo assim, empresas que apenas expõem produtos competem por atenção, enquanto aquelas que explicam valor competem por decisão.

As categorias que crescem revelam a nova lógica

Quando você olha para os dados de performance, o padrão fica ainda mais claro.

Falamos aqui que categorias como blocos de montar cresceram 38%, cartas colecionáveis 46% e miniveículos 23%.

O que elas têm em comum? Não são compras isoladas, mas funcionam como sistemas.

São produtos que:

  • incentivam continuidade
  • aumentam recorrência
  • expandem ao longo do tempo

Na prática, isso significa que o crescimento está cada vez mais ligado à capacidade de gerar relacionamento com o cliente, e não apenas uma transação.

Para negócios, isso muda a lógica de portfólio. Não é mais sobre quantidade de SKU, e sim sobre o papel estratégico de cada produto.

O consumidor mudou e isso altera toda a cadeia

Consumidora descobrindo brinquedos pelo celular em redes sociais antes de validar a compra em uma loja física de brinquedos.

Outro ponto central reforçado em nossos artigos é a mudança no comportamento de consumo.

Canais como YouTube e TikTok se tornaram os principais pontos de descoberta de produtos, deslocando o momento da decisão, que antes, via o varejo como o principal ambiente de escolha. Agora, o consumidor chega no varejo já influenciado.

Na prática, o varejo deixa de ser o lugar onde a decisão acontece e passa a ser o lugar onde ela é validada.

Isso tem duas implicações importantes.

  • A primeira é que conteúdo deixa de ser marketing e passa a ser parte da venda.
  • A segunda é que o varejo precisa assumir um novo papel.

O varejo virou curador

Se o consumidor chega mais informado, o papel do varejo muda. Segundo nossas análises, o varejo passa a atuar como curador e orientador, ou seja, não basta mais expor produtos, é preciso:

  • organizar escolhas
  • reduzir dúvida
  • explicar diferenças

Na prática, isso muda o modelo operacional de duas formas:

  • Varejos que operam como prateleira competem por preço.
  • Varejos que operam como curadoria constroem valor.

E isso impacta diretamente a conversão.

O fenômeno kidult amplia o mercado e aumenta o ticket

Outro dado relevante reforçado pelos relatórios é o crescimento do público adulto no consumo de brinquedos. Categorias colecionáveis e produtos licenciados vêm sendo puxados por esse público.

Em mercados como os Estados Unidos, produtos licenciados já representam cerca de 37% das vendas, conforme publicamos aqui.

A implicação aqui é estratégica. A operação não ocorre em um único mercado, e sim possui camadas de consumo diferentes:

  • Infantil, funcional e educativo.
  • Adulto, emocional e colecionável.

Empresas que não segmentam isso acabam comunicando mal para todos.

O digital deixou de ser diferencial

Outro ponto importante a ser levado em consideração é o avanço do digital como base da operação. O e-commerce de brinquedos, por exemplo, cresceu mais de 250% nos últimos anos.

Além disso, formatos como live commerce, vídeo e catálogos digitais se consolidaram como padrão. Ou seja, o digital não é mais uma frente de crescimento, é uma condição mínima de competitividade.

Negócios que ainda tratam digital como um canal complementar tendem a perder relevância.

Sustentabilidade deixou de ser discurso

Os relatórios também mostram um avanço consistente na demanda por produtos sustentáveis. Consumidores estão cada vez mais atentos a materiais, origem e impacto ambiental.

Isso muda o papel da sustentabilidade dentro do negócio.

Ela deixa de ser posicionamento e passa a ser critério de escolha.

Na prática, isso impacta:

  • desenvolvimento de produto
  • seleção de fornecedores
  • construção de portfólio

O mercado brasileiro exige estratégia híbrida

No Brasil, os dados mostram um cenário mais complexo. O setor deve ultrapassar R$ 11 bilhões, com predominância de produtos de baixo custo, mas crescimento relevante em categorias premium e licenciadas.

Isso cria um mercado híbrido. De um lado, volume e preço. Do outro, valor e diferenciação. Quem tenta operar apenas em uma dessas pontas tende a perder oportunidades. Os que estruturam portfólio com clareza conseguem capturar os dois movimentos.

O que separa quem cresce de quem fica para trás

Se você observar todos esses movimentos em conjunto, vai perceber que a Abrin 2026 não trouxe apenas tendências, evidenciou uma mudança de lógica.

O setor está deixando de operar com base em produto e distribuição e passando a operar com base em valor, curadoria e experiência.

O que isso significa na prática? Significa que crescer hoje não depende mais de ampliar esforço, mas de mudar a forma como o negócio está estruturado.

Empresas que já entenderam isso estão ajustando portfólio, reposicionando comunicação e redesenhando a forma como vendem. As outras continuam tentando extrair resultado de um modelo que está ficando para trás.

E é exatamente aí que a diferença começa a aparecer.

 

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